17 de Junho de 2007


Às Escuras

Estive esta noite num dos dois bares a partir dos quais é possível avistar o Castelo de Almourol um cenário, habitualmente, aprazível, surpreendente e deslumbrante pela iluminação das muralhas e torres da pequena fortificação medieval.

Porém, do monumento nomeado para a lista das 7 maravilhas de Portugal, nem sinal. É como se o mesmo lá não estivesse, como se tivesse sido subitamente acometido de uma qualquer síndrome, daquelas que tão amiudemente atacam as celebridades e, incapaz de lidar com os holofotes da fama, depois de tantas décadas de ostracismo e abandono, qual envergonhada estrela, decidiu esconder-se nas profundezas das límpidas e cristalinas águas do Tejo.

Esta poderia ser uma boa teoria, não fosse a explicação outra. Alegadamente, segundo um residente local, a razão para o Castelo não se encontrar, ao contrário do usual, iluminado, deve-se à proprietária (a Base Aérea de Tancos) cujo novo comandante terá decidido poupar na factura eléctrica cortando a iluminação do monumento.

Desconheço em absoluto as razões para tal apagão ou sequer o grau de fiabilidade da informação recolhida. Não deixa, todavia, de ser estranho (mais parecendo uma estranha conjura urdida pelos lobbies afectos a outras das maravilhas rivais) que, agora que havia saltado do obscurantismo e negligente desleixo a que sempre fora votado para a ribalta, as luzes dos holofotes que iluminavam o monumento durante a noite se tenham súbita e inesperadamente apagado…

Esperemos que tal apagão seja rapidamente corrigido e que o brilho do Castelo de Almourol possa, para deleite de todos nós (e principalmente dos parzinhos assíduos frequentadores – para que possam desfrutar de uma paisagem mais inspiradora enquanto duram os ritos de acasalamento), ser resgatado das trevas.

Alexandre Figueiredo

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